Quarta-feira, 27 de Novembro de 2019 às 22:44:00

“Um dia memorável”- palavras do professor Anderson Augusto da Encarnação.

 

No dia 21 de novembro, o Instituto Bourbon de Responsabilidade Socioambiental realizou uma apresentação com cara de vernissage, pois a união das turmas das oficinas socioeducativas, proporcionou uma apresentação inédita, que homenageou não só a raça negra, mas toda historia dos antepassados da raça negra, raízes não só de um país, mas de um mundo que se orgulha dessa cultura rica e pra lá de pura e cheia de fé.

 

O evento aconteceu ás 19 horas do dia 21, na quadra poliesportiva das escolas Angelina Ricci Vezozzo e Caetano Vezozzo (Estadual e Municipal).

Uma noite onde centenas de alunos e colaboradores uniram suas forças, mostraram o que vêem aprendendo nas oficinas e apresentaram para o grande público com maestria, discernimento e muita veracidade.

A apresentação foi elaborada pelo professor Anderson, que contou com o apoio total de toda estrutura da Escola Profissionalizante Professor Milton de Faria Ribeiro. Entre convidados, a Secretaria de Assistência Social Ana Paula Moro Rafael representou o prefeito Neto Haggi que cumpria agenda na capital paranaense, mas que recebeu imagens e vídeos desta no mesmo momento.

Nos dias de hoje é muito importante ressaltar quão valorosa e rica é a nossa diversidade da Cultura afro-brasileira e o mundo em que vivemos cercados de julgamentos, preconceitos limitações e discriminações por causa de raça, cor de pele, etnia, religião, condição financeira e posição social. A consciência negra em si acaba sendo um portal para grandes mudanças de jovens, adolescentes, crianças e idosos ou dependendo da faixa etária, é o momento de se encontrar.

 

“Eu sendo um professor negro e pai solteiro, destaco a grande importância de estarmos ressaltando o orgulho que sentimos da nossa pele, da nossa vida, da nossa crença, e principalmente daquilo que acreditamos, e pra isso, levantamos todos os dias de manhã para ir à luta, não sou apenas eu, mas como grande parte da população brasileira. O 20 de novembro é reforçar essas energias e as forças para poder arrebentar as correntes que nos prendem nos dias de hoje, sejam elas pelo preconceito ou pela limitação que nos é imposta, esse foi o primeiro estopim de idéias para se montar essa apresentação na noite do dia 21 através das oficinas, tomamos como dever, trazer aproximações das realidades que nós desconhecemos.

Abordamos temas que, apesar de estarmos há tempos convivendo em sociedade, temas registrados na nossa Cultura, que ainda devem ser sim serem abordados por serem muito modernos e contemporâneos e que devem ser quebrados e abolidos, assim como foi a escravidão, devemos também abolir o nosso preconceito”.

A apresentação Laços e Correntes resgata no momento histórico em que o negro tem a sua história perdida quando é vendido como escravo e veio trabalhar aqui no Brasil. Traçamos momentos que podemos homenagear um pouco da manhã África, sendo ela o continente e berço do mundo, homenagem prestada através da cultura da dança e do canto dos negros, que foram trazidos para o Brasil e que, se reergueram em suas crenças e a em sua estrutura familiar, e que depois, foram abandonados com uma falsa idéia de libertação e a linguagem cênica, a linguagem musical e a linguagem do corpo através da dança, representamos essas mudanças temporárias do ano de 500 do Brasil acerca do ano 2019, quando a grande população negra acaba se encontrando segregada em periferias á margem do crime, da violência e da defasagem social, tanto pelo governo, como pela sociedade. “Representar isso é mostrar para essas crianças a possibilidade de mudar a possibilidade de sermos autores da sua própria história, é isso que as oficinas em que atuo no Instituto Bourbon de Responsabilidade Socioambiental faz. Demos uma repaginada de visões sobre o futuro e, com as escolhas que podemos fazer, ainda não será fácil, mas através de muita luta conseguiremos sim alcançar grandes méritos e grandes metas”.

 

O que é um assunto que ainda gera muita polêmica?

 

O que é o mérito, apesar de uma grande dificuldade social?

 

A apresentação abordou muito isso. Trouxemos dança afro, trouxemos informações de como era o castigo do negro que vivia escondido para poder clamar com a sua crença por misericórdia, como foi a mudança da pessoa se reconhecer negra em um mundo onde, tempos atrás, a beleza negra não era tão reconhecida, e hoje muitas das nossas meninas adolescentes reconhecem e têm orgulho dos seus cachos e da sua pele negra, também ainda abordamos a independência da mulher negra e da figura da mulher, esse é o ponderamento da mulher, que deve ser sempre ressaltado, sempre destacado.

 

“Falar do negro é falar da sociedade brasileira.  Não há como diferenciar uma coisa de outra. Fico muito contente pela participação pelo convite de estar fazendo parte do Instituto Bourbon, desse momento de estar junto com os alunos em uma apresentação que foi unânime, um grande sucesso.

Sou grato a Deus por sempre me iluminar e a cada dia, permitir que eu saia da minha casa para poder trabalhar, crendo que eu posso naquele dia, mudar por alguns minutos ou algumas horas, a vida de um adolescente.  Também sou grato aos meus pais que, sempre me motivaram e me orientaram a fazer e a exercer aquilo que eu amo, que é a arte. Também agradeço ao meu filho Pedro Henrique pois tudo que faço na minha vida, tudo o que proporciono aos meus alunos hoje, é o que eu espero que meu filho encontre amanhã, para que ele possa viver em um mundo melhor.

Agradeço aos pais dos alunos que confiaram em minha idoneidade, credibilidade de serviço, pois vocês depositaram uma grande confiança para eu poder estar junto com seus filhos proporcionando uma arte informal, um meio educativo de se aprender, isso é aprender vivenciando grandes experiências. Agradeço ao diretor Prof. Tinelli e a toda equipe técnica: Cris Liga, Roberta (nossa psicóloga), Andreza (nossa gerente fiscal) e a toda equipe de manutenção, Gilberto, Paulo e Luciana, ao Jomar e a Fernanda, que deram todo o suporte para que tudo isso acontecesse, é com muita gratidão, muito orgulho, e grande satisfação no coração que eu espero que, essa apresentação, seja a primeira de muitas outras que ainda teremos. Pois sonho termos uma forte cultura para nossa querida cidade chamada Cambará e sua comunidade, que tem muito ainda á receber e merece toda essa exposição em apresentar para nossos alunos e convidados, a nossa história, o nosso legado, o orgulho de ser negro. Muito obrigado por tudo!”


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